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Dissolução de sociedades no Panamá: etapas e obrigações de encerramento

Foto: Luis Gonzalez / Unsplash

Registrar a dissolução não encerra, por si só, uma sociedade que estava em operação. É necessário coordenar a liquidação societária com as baixas no Panamá Emprende, na DGI, na CSS e no município competente.

Por que o registro não encerra o processo

A dissolução no Registro Público é apenas o primeiro elo em uma cadeia de obrigações tributárias, trabalhistas e administrativas que devem ser cumpridas de forma coordenada. Uma empresa panamenha em operação geralmente tem obrigações para com pelo menos cinco autoridades diferentes: o Registro Público, a Prefeitura do Panamá ou o município onde a empresa está registrada e exerce atividades comerciais, o Ministério do Comércio e Indústrias, o Fundo de Seguridade Social e a Direção-Geral de Receitas (DGI). A falta de encerramento formal das operações junto a qualquer uma dessas entidades não extingue a obrigação correspondente; simplesmente permite que ela se acumule ao longo do tempo, geralmente com multas e juros.

O que é dissolução e quais são suas causas?

Dissolução é o ato jurídico pelo qual uma empresa suspende suas atividades comerciais e inicia o processo de encerramento de suas operações, como etapa preliminar à sua liquidação final. De acordo com a legislação societária panamenha, uma empresa pode ser dissolvida, entre outros motivos, por:

  • Cessação das atividades.
  • Conclusão da finalidade ou prazo para o qual foi instituída.
  • Impossibilidade de atingir o objetivo da empresa.
  • Prejuízos que inviabilizam a continuidade das operações.

Etapas para dissolver uma empresa panamenha

Etapa 1: Dissolução de acordo com a Lei 32 de 1927

O Procedimento Ordinário: Conselho de Administração e Assembleia Geral de Acionistas

O marco regulatório que continua a reger as empresas panamenhas nesta matéria é a Lei 32, de 26 de fevereiro de 1927, que define um processo em duas etapas. Na primeira etapa, o Conselho de Administração é responsável por iniciar o processo: deve aprovar, por maioria de votos de seus membros, a proposta de dissolução. Uma vez adotada essa decisão, o Conselho tem um prazo de dez dias para convocar, diretamente ou por meio do representante legal, seguindo as normas para convocação de assembleias estabelecidas nos artigos 40 a 43 da própria Lei 32, uma Assembleia Geral de Acionistas com direito a voto, que é o órgão responsável por tomar a decisão final sobre a proposta de dissolução.

A segunda etapa é ativada quando a Assembleia Geral de Acionistas, com o apoio da maioria das ações com direito a voto na matéria, ratifica a dissolução. Uma vez aprovada a medida, deve ser emitida uma cópia da deliberação aprovada, juntamente com uma lista com os nomes e endereços dos diretores e administradores da empresa. Este documento exige a certificação conjunta do Presidente ou de um Vice-Presidente, do Secretário ou Secretário Adjunto e do Tesoureiro ou Tesoureiro Adjunto, antes de ser autenticado em cartório e arquivado no Registro Público do Panamá.

A formalização do processo, contudo, não se conclui com o registro: a Lei 32 impõe ainda uma exigência de publicidade, que consiste em anunciar a dissolução pelo menos uma vez em um jornal de circulação local na região onde a empresa tem sua sede. Caso não haja jornal de circulação local, o aviso deverá ser publicado no Diário Oficial.

Procedimento simplificado: consentimento unânime dos acionistas.

A Lei 32 também prevê um procedimento simplificado: se todos os acionistas com direito a voto na matéria expressarem seu consentimento por escrito para a dissolução, não será necessária nem reunião do Conselho de Administração nem Assembleia Geral de Acionistas. Nesse caso, o documento contendo o referido consentimento deverá ser autenticado em cartório, registrado no Registro Público e publicado da mesma forma que no procedimento ordinário. Concluídas essas formalidades, a empresa será considerada formalmente dissolvida.

A continuidade jurídica da empresa dissolvida: o prazo de liquidação de três anos

Um aspecto frequentemente negligenciado é que a dissolução não extingue imediatamente a personalidade jurídica da empresa. Toda sociedade anônima cuja existência seja encerrada, seja pelo término do prazo previsto em seu pacto social ou por dissolução, continua a existir por um período de três anos a partir dessa data, exclusivamente para os seguintes fins: iniciar quaisquer procedimentos especiais que se façam necessários, defender seus interesses quando processada, resolver suas pendências, transferir e alienar seus ativos e dividir seu capital social. Em nenhum caso, porém, a sociedade poderá continuar a exercer a atividade para a qual foi originalmente constituída.

Durante esse período, os administradores da empresa atuam como fiduciários, com poderes para gerir os negócios da empresa, cobrar dívidas pendentes, vender e transferir ativos de todos os tipos, distribuir os ativos entre os acionistas após o pagamento das dívidas da empresa e iniciar ou participar de processos judiciais em seu nome, tanto em relação aos seus créditos e ativos quanto em sua defesa contra reivindicações de terceiros.

Essa função fiduciária acarreta uma responsabilidade específica: os diretores são solidariamente responsáveis pelas dívidas da empresa, mas apenas até o limite dos ativos e fundos que adquiriram em sua posse e gestão enquanto exerciam essa função. A lei também os autoriza a destinar fundos e ativos da empresa para pagar uma remuneração razoável por seus serviços e para preencher eventuais vagas que surjam entre eles. As decisões tomadas pelos diretores em sua qualidade de fiduciários são tomadas por maioria de votos.

Etapa 2: cancelamento do Aviso de Operación no Panamá Emprende

O primeiro passo prático, e um dos mais urgentes, é o cancelamento do Aviso de Operación por meio do Panamá Emprende, um procedimento realizado junto ao Ministério do Comércio e Indústrias (MICI). É nessa etapa que a Aviso de Operación da empresa é cancelada.

Esse procedimento deve ser realizado quase imediatamente após o registro da dissolução no Registro Público, pois, enquanto a Aviso de Operación permanecer ativa, a empresa continuará gerando a obrigação de pagar impostos municipais, mesmo que não esteja mais em operação.

Etapa 3: Declaração Final do Imposto de Renda à DGI e Cancelamento do RUC (Número de Identificação do Contribuinte)

Após a dissolução da empresa no Registro Público, há um prazo de trinta dias corridos para o envio da Declaração Final do Imposto de Renda, conforme o Artigo 717 do Código Tributário. O não cumprimento deste prazo acarretará multa por atraso na entrega no valor de B/.500,00.

A data da Declaração Final de Imposto de Renda deve coincidir exatamente com a data do registro da dissolução no Registro Público. Divergências podem gerar exigências da DGI e atrasar o cancelamento definitivo do Registro Único de Contribuintes (RUC).

Após o envio da Declaração de Imposto de Renda Final no sistema, devem ser atendidos os requisitos para solicitar o cancelamento definitivo do Número de Identificação do Contribuinte (RUC). Quaisquer taxas anuais de manutenção da sociedade (tasa única) que continuem a acumular-se após a data de dissolução registrada no Registro Público serão dispensadas assim que o cancelamento do RUC for aprovado.

Requisitos para o cancelamento definitivo do RUC

  • Procuração autenticada em cartório em favor de um advogado, quando o representante legal não comparecer pessoalmente.
  • Cópia do documento de identidade do advogado e de sua habilitação para exercer a advocacia no Panamá.
  • Carta de autorização simples do advogado em favor do representante, com cópia do documento de identidade nacional deste.
  • Petição solicitando a apresentação da Declaração de Imposto de Renda definitiva.
  • Cópia do documento de identidade nacional ou passaporte do representante legal.
  • Escritura de dissolução da empresa.
  • Comprovante de registro da dissolução no Registro Público.
  • Certificado de encerramento ou de não possuir número de registro de empregador junto ao Fundo de Seguridade Social.
  • Certificado do Ministério do Comércio e Indústrias comprovando o encerramento ou a inexistência de alvará de funcionamento.
  • Certificado de regularidade fiscal emitido pela DGI.
  • Não ter processo aberto nem saldo devedor.
  • Regularidade no envio das declarações e relatórios fiscais.
  • Declaração de Imposto de Renda definitiva, com a mesma data do registro da dissolução.

Etapa 4: Encerramento junto ao Fundo de Seguridade Social

Como parte do processo formal de encerramento, o empregador deve notificar o Fundo de Seguridade Social sobre a cessação das atividades em um prazo máximo de trinta dias corridos a partir da data efetiva do encerramento, em conformidade com a Lei 51, Lei Orgânica do Fundo de Seguridade Social.

As etapas e os requisitos para este procedimento são os seguintes:

  • Apresentar a notificação formal de cessação das atividades pelos canais ou órgãos autorizados do Fundo de Seguridade Social.
  • Concluir o procedimento em até trinta dias corridos após a data efetiva do encerramento ou a data da última folha de pagamento sem empregados.
  • Cumprir este procedimento prontamente para evitar as multas e penalidades estipuladas no Artigo 88 da Lei Orgânica 51 do Fundo de Seguridade Social.

Etapa 5: Notificação ao Município e Encerramento Definitivo da Empresa

Os requisitos abaixo são os do Município do Panamá. Em outro distrito, é necessário confirmar as exigências do município competente.

Por fim, o pedido de encerramento definitivo da empresa deve ser submetido à prefeitura competente para que os impostos municipais gerados pelas atividades da empresa cessem de ser cobrados. Esta etapa, juntamente com o encerramento tempestivo do registro da empresa descrito na Etapa 2, é uma das mais frequentemente omitidas e, muitas vezes, é a que gera o acúmulo de dívidas municipais anos após o encerramento efetivo da empresa. Além disso, é um requisito crucial para que a empresa não precise apresentar a declaração de imposto municipal correspondente no ano seguinte.

Requisitos para pessoas jurídicas

  • Carta endereçada ao Tesoureiro Municipal, original e duas vias, solicitando o encerramento definitivo do estabelecimento, incluindo um número de contato. A carta deve ser assinada pelo proprietário do estabelecimento; cartas com rasuras, correções, texto sobrescrito ou alterações de qualquer tipo não serão aceitas.
  • Cópia da carteira de identidade nacional do representante legal da empresa.
  • Certidão original do Registro Público, atualizada, ou cópia autenticada emitida por tabelião, válida por no máximo três meses a partir da data de emissão.
  • Cópia da Aviso de Operación contendo as assinaturas do requerente e do agente de processamento.
  • Cópia da Aviso de Operación do sistema Panama Emprende (www.panamaemprende.gob.pa) indicando que a licença foi cancelada.
  • Documentação comprobatória para a solicitação.
  • Certidão municipal de regularidade fiscal original; cópias e certidões obtidas online não serão aceitas.
  • Cópia do comprovante de pagamento mais recente do mês vigente. Caso haja um plano de pagamento, uma cópia do mesmo deverá ser fornecida.
  • Extrato atualizado da conta municipal.
  • Croqui da localização comercial, que deve incluir o corregimiento, loteamento ou bairro, rua e número, número da unidade ou residência, prédio e número do apartamento ou praça comercial, bem como pelo menos dois pontos de referência (em duplicado).

Requisitos quando o procedimento é apresentado por um terceiro

Quando a documentação não for apresentada diretamente pelo proprietário ou representante legal, mas por um terceiro autorizado, também deverão ser fornecidos os seguintes documentos:

  • Carta de autorização devidamente autenticada por um tabelião, contendo as assinaturas correspondentes. Esta carta não pode ser alterada após ser autenticada pelo tabelião.
  • Cópia do documento de identidade da pessoa autorizada.

A conclusão deste procedimento é de particular importância: até que o encerramento definitivo seja formalizado junto ao município, a empresa continuará a gerar impostos municipais e, adicionalmente, permanecerá obrigada a apresentar a declaração de impostos municipais do ano seguinte, mesmo que toda a atividade comercial tenha cessado.

O caso específico da mudança de domicílio: um conceito distinto da dissolução

É importante distinguir claramente entre dissolução e mudança de domicílio, uma vez que ambas geram tratamentos completamente diferentes perante a DGI. A mudança de domicílio é a alteração ou transferência da sede social de uma empresa de uma jurisdição para outra, em que a empresa muda o país sob cujas leis está registrada, mas mantém a mesma personalidade jurídica.

No caso de mudança de sede, a empresa não é encerrada junto à DGI, justamente porque não se trata de uma dissolução. O que ocorre, em vez disso, é a suspensão da obrigação de apresentação da declaração de imposto de renda devido à cessação ou ao encerramento temporário, enquanto a empresa completa sua transferência para a nova jurisdição.

Como evitar passivos após o encerramento

Antes de dissolver a sociedade, identifique empregados, avisos de operação, contas fiscais e municipais, contratos e ativos remanescentes. Organize um dossiê de encerramento com os comprovantes de cada baixa e as respectivas certidões de regularidade.

Nossa área de assessoria societária e comercial no Panamá pode ajudar a coordenar as etapas societárias e administrativas do encerramento.

Fontes oficiais

Este artigo contém informações gerais e não constitui aconselhamento jurídico. Os requisitos administrativos podem variar e devem ser confirmados em cada procedimento.